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Uma tempestade delicada

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Foi um furacão. A passagem do Théâtre du Soleil por Porto Alegre, durante o 14º Porto Alegre Em Cena, lotou as sete sessões programadas para a companhia de Ariane Mnouchkine no galpão especialmente montado para as apresentações da trupe francesa, na zona Norte de Porto Alegre. Les Éphémères foi apresentado em duas partes, que puderam ser assistidas em conjunto – uma depois da outra, o que exigia um esforço dobrado da platéia – ou separadamente. Cada uma delas tinha uma duração superior a três horas para narrar histórias de vida cotidiana da pequena classe média do mundo ocidental, em cenas sonhadas, invocadas, evocadas ou simplesmente vividas diretamente no palco pelos atores. O espetáculo, o primeiro do grupo a ser apresentado na América Latina, trouxe toda a parafernália da companhia, inclusive a célebre refeição que os atores preparam e servem ao público. Foram 11 contêineres só para trazer a cenografia e a infra-estrutura do Thèâtre du Soleil, além de 31 atores adultos e seis crianças. Isso sem contar a equipe técnica, que teve funções curiosas como uma responsável por questões humanitárias, um especialista em tapeçarias, maîtres e cozinheiros e um ordenador de carrinhos. Em cena, o que se viu foram jogos de memória, ficção, mágoa, ressentimento e alegria transformados em teatro da melhor qualidade. Algo como Porto Alegre jamais havia visto. E como jamais esquecerá.

 

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