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O Festival de Teatro do Recife

4 Dezembro, 2007

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Mês passado estive no Recife. Muita tapioca, cuscuz, caldinho e munguzá. E muito e bom teatro, pode-se generalizar, apesar das exceções.  Era a 10ª edição do Festival Recife do Teatro Nacional. Vinte e um espetáculos de oito Estados e mais um do Distrito Federal. Quatro espetáculos para crianças e adolescentes e dezessete para gente normal. Comédias, farsas, dramas, musicais, monólogos e performances de teatro-dança. Todos os estilos e gêneros, do realismo ao surrealismo, do épico ao absurdo, do moderno ao pós-moderno. Coisa pra ninguém botar defeito.            O tema do Festival foi Teatro do eu – Teatro do mundo, expressão forjada pelo curador, Kil Abreu, para destacar “cruzamentos recorrentes na cena nacional: a de um teatro íntimo como coisa política e, do mesmo modo, a de um teatro social que não dispensa as instâncias da subjetividade”, como se lê no programa.              Dos espetáculos apresentados destaco dois: O pupilo quer ser tutor, texto de Peter Handke, direção de Francisco Medeiros, produção da Cia. Teatro Sim… Por que não?!!! , de Santa Catarina; e Amores Surdos, dramaturgia de Grace Passô, direção de Rita Clemente, produção do Grupo Espanca! , de Minas Gerais. O primeiro, um espetáculo em que o silêncio se impõe como linguagem, como fonte do discurso e da emoção. Bons atores, direção inspirada, clareza narrativa a que se assiste com requintado prazer. O segundo, um murro no estômago, no melhor sentido que essa expressão possa ter.

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